Itaúna aparece entre os municípios com as maiores taxas proporcionais de homicídios do Centro-Oeste de Minas Gerais, segundo dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, o município registrou 14 homicídios no período analisado, o que representa uma taxa de 13,7 mortes por 100 mil habitantes. O índice coloca Itaúna atrás apenas de Pará de Minas, com taxa de 19,6, e Nova Serrana, com 16,8, superando proporcionalmente cidades maiores da região, como Divinópolis, que apresentou taxa de 8,3 homicídios por 100 mil habitantes.
Os números refletem um fenômeno observado em diversas partes do país: a chamada interiorização da violência. O processo é caracterizado pelo avanço da criminalidade para cidades de médio e pequeno porte, enquanto os grandes centros urbanos registram redução gradual nos índices de homicídios.
Em entrevista, o coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, explicou que o movimento vem sendo observado há anos e está relacionado, principalmente, à expansão e fragmentação de facções criminosas. Segundo ele, grupos menores passaram a disputar territórios e pontos de tráfico em cidades do interior, contribuindo para o aumento da violência em municípios com menor população.
Apesar do cenário que exige atenção das autoridades de segurança pública, o Atlas aponta que o Brasil vive uma tendência de queda nos homicídios. O país registrou a menor taxa desde 1998, resultado atribuído ao envelhecimento da população, ao aprimoramento das políticas de segurança e a mudanças na atuação das organizações criminosas.
Especialistas alertam, no entanto, que a presença de pequenas facções em cidades do interior continua sendo um desafio para os próximos anos, especialmente em municípios onde a violência proporcional cresce mais rapidamente do que nos grandes centros urbanos. Em Itaúna, os dados reforçam a necessidade de monitoramento constante e de ações integradas voltadas à prevenção da criminalidade e ao fortalecimento da segurança pública.
Por Fábio Melo com informações do G1

