O pintor Jésus Chaves Martins, de 93 anos, autor da pintura da Santa Ceia no altar da Paróquia Sant’Ana, em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas, falou pela primeira vez sobre a restauração da obra que motivou uma briga entre o padre Edson Augusto Teixeira, de 55 anos, e o locutor Jésus de Carvalho Chaves, de 83.
Em entrevista na quinta-feira (23), ele afirmou que não foi comunicado pela igreja sobre a intervenção feita em 2022 e criticou o resultado.
“Não me consultaram para nada, não me avisaram e fizeram um trabalho muito ruim por cima. Fizeram um colorido em cima de uma obra de arte moderna. Erraram o desenho. Para quem é artista, entende e gosta de arte, ficou ruim. Mas, para quem fez e que não entende nada de arte, está muito bom”, disse o pintor.
A pintura foi feita em 1974 e, segundo Jésus, o estilo original era neutro, em tons de marrom, por falta de recursos da paróquia à época. “O motivo de não ter cor era porque a igreja não tinha dinheiro para investir em tintas coloridas. Então fiz uma pintura neutra”, explicou.
O artista — que é natural de Bambuí, mas vive há vários anos no Rio de Janeiro (RJ) — contou ainda que não quis ver o resultado da restauração, mas que familiares avaliaram o trabalho e também reprovaram.
“Não quis nem ver. Me mostraram pelo celular, vi uma parte e nem quis ver mais. O meu sobrinho, que é fotógrafo e entende do assunto, disse: ‘Não é possível uma coisa dessa’. Colocaram um colorido que não era aquele, deturparam minha obra”, afirmou.
O caso ganhou repercussão após o radialista Jésus, durante o programa “Domingão do Jesão”, no último dia 19, criticar a restauração da obra e afirmar ter sido agredido pelo padre Edson Teixeira, pároco da Igreja de Sant’Ana, que entrou no estúdio durante a transmissão ao vivo.
Jésus afirmou que a forma como a paróquia tratou a restauração desrespeitou os direitos autorais que ele tem pela pintura sacra.
“Consultei o advogado e ele disse que o artista não perde o direito autoral. Ninguém pode mexer em uma obra de arte, mesmo que tenha comprado, sem autorização do artista”, afirmou.
Segundo ele, se tivesse sido procurado, teria ajudado a orientar o restauro.
“Se me pedissem para restaurar, eu não teria mais condições, mas mandaria alguém aqui do Rio de Janeiro para fazer. Alguém que entende. Porque eu fiz um reparo anos depois e fui até Bambuí para isso”, contou.
O pintor acrescentou que possui uma versão colorida semelhante à obra em Araxá, no Alto Paranaíba.
‘Dei um quadro de presente para um amigo e está pintado quase que a mesma pintura da igreja, porém, colorida. Se tivessem me falado, eu teria pedido para que mandassem esse quadro para Bambuí para se basearem nas cores”, finalizou Jesus.
Fonte: G1

