Piloto relata momentos de tensão após queda de avião em Mateus Leme

O piloto Gustavo Monteiro Couto, de 29 anos, que sobreviveu à queda de um avião monomotor em Mateus Leme, na Grande BH, contou que a aeronave perdeu potência e começou a pegar fogo ainda no ar. Diante da situação, ele acionou o paraquedas de emergência antes da queda.

Segundo Gustavo, ele tentou os procedimentos para recuperar a potência, mas, sem sucesso, decidiu retirar a aeronave da área urbana e procurar um local mais seguro para o pouso de emergência.

“Eu tive uma perda de potência. Quando vi que estava tendo algum problema, que não ia ter mais controle da aeronave, tirei a aeronave de cima da cidade de Mateus Leme e procurei um lugar melhor para um pouso de emergência. E aí eu vi que estava pegando fogo e acionei o paraquedas”, relatou.

O piloto recebeu alta do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, na tarde desta terça-feira (25). Ele contou que sentiu medo durante a queda e destacou a importância do equipamento de emergência.

“Eu acredito que o paraquedas me ajudou muito, porque, com a fumaça dentro da cabine, fica difícil você fazer todos os procedimentos. E é nesse momento que eu falei: ‘Pô, eu não consigo mais’.”

Imagens registradas por moradores mostram o avião descendo com o paraquedas acionado e liberando muita fumaça. Após atingir o solo, a aeronave foi destruída pelo fogo.

Gustavo deixou o avião somente depois que ele já estava no chão. Produtores rurais que estavam na região encontraram o piloto consciente. Ele foi levado inicialmente para uma unidade de saúde em Serra Azul e, depois, para a UPA de Mateus Leme.

De acordo com a Polícia Militar, Gustavo sofreu queimaduras nas vias aéreas e inalou fumaça. Por precaução, foi transferido para o Hospital João XXIII.

Na saída da unidade, o piloto se emocionou ao falar sobre o reencontro com o filho, que completa 2 anos nesta quarta-feira (26).

“Dá vontade de chorar. […] Dá para ver ele, abraçar, sentir o cheiro dele. E agora viver.”

Gustavo também agradeceu por ter sobrevivido e atribuiu o desfecho à fé e ao funcionamento do paraquedas.

“O sentimento é só de agradecer a Deus por ter dado toda a iluminação e dar tudo certo, a porta estar aberta na hora certa, eu poder respirar, o paraquedas ter funcionado, tudo certo. É só agradecer a Deus mesmo por mim e pela minha família.”

A esposa do piloto, Brenda Monteiro Couto, também falou sobre o momento e comemorou a sobrevivência do marido.

“É um susto que a gente passa, mas acho que a alegria é ainda maior. […] É uma vida que ele deu novamente para o meu esposo. […] É o melhor presente que eu poderia ter.”

Da redação com informações do G1