A confusão que terminou no ataque a facadas contra a decoradora Ingridy Cristina Lucci, de 26 anos, e o irmão dela, de 29, começou após um desentendimento sobre a retirada de três móveis que haviam ficado no espaço de festas do empresário, em Itaúna.
À polícia, o acusado, de 30 anos, afirmou que agiu em legítima defesa porque se sentiu ameaçado. Ele está preso e foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio. O advogado dele, Marcelo Silva Maromba, disse que ainda há questões a serem esclarecidas e que o cliente não teve intenção de matar.
Segundo a decoradora, os dois trocaram mensagens no dia 28 de setembro para tentar combinar o horário da retirada, mas não chegaram a um acordo, e a conversa terminou em agressão.
“Todos os horários que poderíamos buscar, ele não podia. Ficaram três móveis atrás de uma pilastra, que já não estavam mais no salão da festa, e sim na hamburgueria dele, que funciona no mesmo imóvel. Não iria atrapalhar em nada, porque quando tem evento no espaço, a hamburgueria funciona só para retirada”, explicou Ingridy.
A decoradora contou que foi atacada a facadas quando chegou ao local com o irmão para buscar o material. Além do pescoço, Ingridy sofreu três perfurações no intestino e precisou passar por cirurgia. O irmão dela, também atingido no pescoço, teve ferimentos leves e não precisou ser internado.
Ingridy contou que havia sido contratada por uma cliente para montar uma festa no espaço do empresário no dia 26 de setembro, uma sexta-feira. O evento ocorreu à noite e, no dia seguinte, ela retornou para recolher parte do material. “Recolhi a maioria dos objetos, mas três móveis não couberam no carro e deixei pra buscar depois”, relatou.
No dia 28, segundo ela, o homem enviou mensagem à cliente informando que cobraria uma nova diária do espaço, já que ainda restavam móveis no local.
“Quando a cliente me avisou que ele ia cobrar outra diária, tentei resolver com ele. Mandei mensagem de manhã, ele disse que arrumaria alguém, mas depois não respondeu mais. À tarde, ele já foi cobrar da cliente. Decidi ir até o local, porque ele não me deu retorno”, afirmou.
Ingridy contou que estava na casa do irmão e pediu que ele fosse junto, já que o carro dela estava carregado com materiais de outra festa.
Ao chegar no espaço de festas, Ingridy conseguiu contato com Lucas, que disse que estava a caminho, mas acompanhado da polícia. Porém, Lucas chegou ao local sozinho. Houve uma discussão entre eles, que terminou com o empresário esfaqueando a decoradora e o irmão dela.
“Ele já chegou fazendo gracinha com o carro, cantando pneu. Ele já foi armado, então ele foi premeditado. Fui para resolver uma coisa simples e quase morri”, contou.
Após o crime, o homem fugiu em um carro acompanhado do pai, mas foi localizado momentos depois e preso em flagrante. Ele foi indiciado por duas tentativas de homicídio duplamente qualificadas, por motivo fútil e por dificultar a defesa das vítimas. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça.
No boletim de ocorrência, o indivíduo afirmou que agiu em legítima defesa, dizendo que foi ao local depois de trocar mensagens com a decoradora sobre a retirada da decoração e que levou uma faca porque se sentiu ameaçado. Ele alegou ter reagido após ser cercado pelas vítimas e que reagiu para evitar ser agredido.
A defesa do suspeito informou em nota que o inquérito foi encerrado no dia 8 de outubro e os autos foram enviados ao Ministério Público, que apresentou a denúncia no dia 10 de outubro.
Fonte: G1

